Raramente posto qualquer coisa que não seja minha aqui no blog. Mas essa merece! Quem tiver coragem, que veja e leia até o fim. Aos que não se sentirem incomodados, meus lamentos.
Uma música ouvida durante anos e anos... e, de repente você se toca que ela não significa exatamente o que diz. Resultado e significado são grandezas díspares. E você entende que ouvia o que queria ouvir, que existia sonoramente numa redoma cristalina de autoexultação, de utopia. Um bom exemplo disso são esses quatro versos tão fortes, embalados por vozes canoras. Essa música em especial diz exatamente assim: “Faço porque quero! Estou sempre com a razão! Eu jamais me desespero! Sou dono do meu coração!” Quatro mentiras confortáveis, nada mais que isso. Fazer porque se quer – qualquer coisa – é a máxima do poder da juventude. No melhor estilo “eu sou o rei do mundo”, “eu posso tudo”. Amadurecer é também a compreensão de que isso é impossível. As coisas que fazemos, as fazemos por dever, por obrigação, pela vida – a nossa e a de outros. Claro que há escolhas, mas elas são turvas, nunca realmente nossas. Nunca dependem apenas da nossa vontade. Estar sempre com a razão é u...
Tempo de perder, de desfazer-se. Tempo de deixar ir. Desistir, como dizia Caio, é ainda assim um gesto de coragem. Ou de puro desacato ao ego. Que seja... há de existir para sempre e em cada sempre o derradeiro momento da partida. Partir-se ao meio, rasgar-se para que aquele peso chamado esperança saia do peito sem que possamos impedir. O tempo da utopia já passou. É preciso sacrificar algo. Que seja o orgulho a ser jogado no fosso. Que seja a soberba o pecado a ser santificado pelo fogo da expiação. A força - tanta força, tanto esforço - de nada serve. A forca nada mais é do que um pedaço inerte de corda. O pescoço apertado nela é o que importa. O tempo é de desapego, de entrega. Tempos de morte. Necessário contradizer a insensatez, imprescindível dar ouvidos ao destino, ao fato inevitável, ao fracasso. Ceder ao poder do que é mais forte que nós, maior que nossa vontade, que nosso sonhar tão errante e alucinadamente lúdico. Esse que acredita em fadas, em milagres, em livr...
Sou difícil de matar. Me derrubar é mais fácil e já aconteceu mais vezes do que gostaria de contar. Já fui alvo de pedradas, rasteiras, traições e atentados de todos os tipos. Todavia, minha resiliência é chata e teimosa. Não sei desistir, apesar de opiniões em contrário. Já me rotularam covarde, indecisa, sem ambição. Mas, nunca me chamaram injusta. Das pancadas e emboscadas que suportei, as mais dolorosas foram as das pessoas próximas, aquelas com quem eu me importava de verdade. Confesso que, a cada descoberta, um tanto de raiva me abalava. Contudo, o sentimento que imperada era tristeza, decepção. Sim eu ficava mais triste do que furiosa. Saiba, você que me magoou, que doeu bastante. E doeu mais porque sei que só dois caminhos existem depois da traição. Ou o afastamento completo – o que me faria sofrer a ausência de certas pessoas –, ou o confronto – que nunca foi objetivo aqui. Não quero sumir nem brigar. Não mando olho gordo de volta, não compartilho intriga nem boto laxante ...
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