sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher: uma paródia



Aconteceu, muito tempo antes de nós, uma luta de classe e de sexo que determinava que uma mulher, por ser inferior ao homem, deveria trabalhar mais e ganhar menos. Brigas e perrengas várias mais tarde, determinou-se que o trabalho seria igual para os dois sexos. Uma mentira descarada, mas deixe estar.

Apesar das vitórias feministas obtidas desde o voto feminino brasileiro, em 1932, ainda revogo o fato de comemorar o dito 8 de Março como me dizendo respeito diretamente. Entendam: a comemoração, não o sentido. A comemoração diz respeito a “louvar” a mulher em um dia específico, dando presentes e fazendo homenagens. O sentido diz respeito ao descaso, omissão, preconceito e sexismo os quais enfrentamos, nós mulheres, diariamente.

Sou da geração que não precisa mais ser feminista. Isso não é uma afronta. É a realidade. Hoje, beirando os 40 anos, sou mãe, mulher, profissional, empresária, livre, respeitada, formadora de opinião, independente. Sou o todo que qualquer homem deve ser. E sou mais. Sou responsável pela integridade de uma vida que eu mesma gerei e pus no mundo. Outra mulher forte, diga-se de passagem.

Não preciso ser feminista, pois as que vieram antes de mim me deram o direito de simplesmente viver quem sou, minhas necessidades e meus arroubos. Se sou tudo o que sou, é por elas, as que lutaram antes de mim. Hoje, comando homens sem o menor preconceito. Determino o que é e o que não é em minha vida pessoal e profissional. Isso tudo, só pude realizar porque muitas sofreram por mim, antes.

Se a estas louvássemos em 8 de Março, eu aplaudiria. Se cada profissional (feminina) do mundo lembrasse que só está lá porque Simones e Virgínias padeceram na luta, tudo seria mais perfeito. Mas não é assim. E ainda hoje, por me manifestar do patamar no qual me encontro (e que não é nada perante muitos), sou rotulada de antifeminista, de pró-sexista, de vendida ao mundo masculino.

Entendam. O “mundo” no qual eu vivo, não é machista ou sexista. Porque eu sou mulher! E sou eu quem manda, quem escolhe, que grita mais alto. O mundo em que eu vivo é aberto a todos os que pensam, que existem racionalmente e que não se perdem em firulas preconceituosas. Pois, como vi num post do Facebook dia desses, todos vocês, homens, nasceram de um útero feminino (redundante isso). Quer vocês admitam ou não.

Então. Viva o dia da mulher, seja ele qualquer dos 365 disponíveis (ou, como penso, todos eles). Lutemos sempre por direitos, por igualdade, por justiça. Não apenas por nós, mas por todos os que são rejeitados pela dita maioria dominante. Lutemos pelo fim de qualquer e toda violência. Se nos compadecemos de animais espancados, que dirá humanos, não interessa o sexo.

Somos mais fracas que nossos agressores? Fisicamente, sim, algumas de nós. Não quer dizer que sejamos sacos de pancada. Não quer dizer que não tenhamos poder de revidar. Somos mais e melhores, pois somos nós que botamos esses tantos homens na terra. Resta-nos o poder de doutrinar cada um desses propensos machistas. Afinal, nós é que sabemos por nossos filhos. Estou errada?

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