quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

In-Tolerância Literária

Já me disseram que "ler me cansa". Já me disseram que "não é que eu não goste de ler. Eu não tenho é paciência". Já me disseram "tenho preguiça, me conta aí a história". Já ouvi de tudo. E a maior agonia de um escritor é não ser lido. Não interessa se a cobaia vai amar ou odiar o que vai ler. O que interessa é que leia!
Livros são objetos mágicos, a absoluta obra de arte da criação humana. Tem gente que lê até bula de remédio. Tem uns que não conseguem não ler. E tem os outros. São esses que doem na gente.
Talvez, por isso, eu não escreva mais. No fundo, eu sei que esses intolerantes não vão ler. Tem gente intolerante à lactose. Tem gente intolerante à literatura. Daí fica esse ócio criativo sem mérito, sem expressão. E inexpressividade não combina com o ofício do escritor, com sua condição pensante, existente.
Quem quiser fazer doer um escritor, que não o leia. É a maior das agressões. Não inventaram ainda mal pior. Mesmo que seja leitura dinâmica, mesmo que só as orelhas do livro, leia. Mesmo que seja pra dizer que é ruim.

Nenhum comentário: