quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Átomos e Firulas


Incrível como as coisas mais importantes acontecem e desmoronam num piscar de pestanas. Num segundo, está lá, com todas as flores e diamantes, champagne estourando atrás da rolha, dentes à mostra e todas as firulas da felicidade. No segundo seguinte, nada. E é nada mesmo! Caules murchos e sem pétalas, vidro estilhaçado, a taça quebrada, a lágrima salgada na língua.

O vazio de uma perda assim, perda do que ainda não se tem, é inigualável. Nem a morte parece tão nada quanto o nada de nada ter. Especialmente, se a perda é mental, emocional, idealizada. E é tão difícil não idealizar o que está quase ao alcance da mão... tão perto que dá pra sentir o cheiro...

Óbvio que o cérebro, esse soldado-amigo inseparável, avisa do perigo, tenta dissuadir de idealizar. Contudo, qual força temos de frear a imaginação, inimiga arqui do racional? E caímos no precipício do ilusório. Sonhamos. O pior é sempre descobrir que o sonho acaba. Mais uma vez terminado, quebrado em cacos de lágrimas cristalizadas.

E o pior mesmo, a gente sempre sabe que isso vai acontecer. Temos a certeza e a ignoramos porque somos passionais e ilusórios. Somos um bando de idiotas, isso sim. Néscios auto-iludidos sensoriais, dando de ombros aos avisos da mente que pensa.

Pensar não é o forte dos passionais, com certeza. Quando a aura e a névoa de irrealidade tomam conta, nada de raciocinar em termos lógicos. Aliás, lógica é uma palavra que perde o sentido diante da idealização impensada e imprecisa, mas que mexe tanto com cada célula, cada núcleo de átomo.

Átomos. Tudo não passa de átomos que motivam. Que nos fazem vivos. O que seria de nós, os passionais idealistas iludidos, se não pudéssemos firular?

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