terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ser ou não ser... solitário (parte 1)

(Inspiração by Kadu Lago)

A pergunta original foi: “Será que realmente é impossível ser feliz sozinho???”

Tenho que começar por Schopenhauer. “Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre”.

Estar sozinho e ser solitário são coisas absolutamente distintas. Sim, vou explicar. Aguentem.

Solidão é estar sozinho, sem a companhia de outro ser, pensante ou não. Solidão é o que sentimos quando conversamos com as panelas e sorrimos para a novela. Muito necessária essa condição para colocar as ideias em ordem, o trabalho em dia ou a louça no lugar. Contudo, depois do período de acertos internos, vem a sensação de que ninguém nos ama. É quando queremos trocar bobagens verbais, ou apenas uma companhia pra assistir tv. A maioria de nós consegue suprir essa necessidade do outro no convívio trivial com a família, com amigos, par romântico, estranhos nas baladas. Enfim... tem seis milhões de rostos aí fora pra ninguém cair em estado de solidão.

Alguns menos afortunados, no entanto, apesar dessa fartura de gente andando pelo mundo, não conseguem companhia para as mais obtusas ocasiões. Pessoas que choram pelos cantos e descontam na Internet a impossibilidade de fazer amigos, construir relações, aproximar-se de familiares, achar um grupo. São os miseráveis que precisam da companhia dos outros, mas que, por qualquer motivo, são incapazes de conseguir atenção. Ou acreditam que são! Suicidas em potencial, por tristeza e abandono. Esses são os que não entenderam que a melhor companhia do mundo está diante deles, dentro do espelho.

Rapidamente, temos que lembrar daqueles que, mesmo cercados de pessoas, parentes, amantes, encontram-se em eterno estado de solidão. Sentem-se abandonados e deslocados, odeiam festas e, ao que parece, quanto mais gente ao redor, pior é. Esses eu chamo de deprimidos crônicos. A meu ver, eles não suportam a si mesmos e, consequentemente, a ninguém mais. Ao mesmo passo, sentem falta de um ser ideal, que lhes faça companhia e lhes traga a tal alegria de viver. Idealizam, jogam sobre outrem suas frustrações e desejos. Nunca vão achar. Tenho pena desses.

To chovendo no molhado? É, eu sei! Você sempre tem a opção de parar de ler... Lembre-se, essa é só a minha opinião.

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