terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ser ou não ser... solitário (parte 2)


(Inspiração by Kadu Lago)

Relembrando, a pergunta original foi: “Será que realmente é impossível ser feliz sozinho???”

Falei da solidão, do estar sozinho. Agora é o momento de falar do ser solitário.

Ser solitário não é uma condição social, é um estado de espírito. Solitário é aquele que não sente qualquer necessidade do outro. Solitário é aquele que, em termos gerais, se basta. Ele pode ter ou não amigos, parentes, amantes. Não importa, pois essas figuras são, de certa forma, descartáveis. Pessoas que passam por sua vida não deixam marcar mais do que momentâneas, se é que deixam alguma marca. E a saudade ou a dor o atingem mais até do que às pessoas comuns, sociáveis. Todavia, mesmo com toda a intensidade de um relâmpago cortando o céu, esses sentimentos são rápidos, acabam rápido. Abalam muito, mas passam! E o que fica é a força renovada de um ser auto-suficiente, indiferente.

Indiferença. Essa é a acusação recorrente do mundo ao solitário de alma. Alguém neutro, que não tem sentimentos. Mentira! Ninguém ama mais intensamente, apaixona-se mais dolorosamente, sofre mais devastadoramente do que um solitário. Por quê? Pelo fato de ser passageiro, de não restar nada depois. Ele, então, aproveita cada migalha, cada átomo de sentimento, de sensação. E depois volta a ser ele mesmo. Fácil assim. Egoísta? Lógico! O solitário só ama ou odeia verdadeiramente a um único ser, ele mesmo.

No frigir dos ovos, o solitário não precisa de ninguém porque não sente falta de ninguém, de nada. Tudo do que necessita está nele. E se falta algo, ele absorve durante esses rompantes de sentimentalismo que cruzam seu caminho de vez em quando. Esse indivíduo é, sim, feliz sozinho. E o mais engraçado (ou trágico!) é que o solitário só deixa de sentir-se só quando estende a si mesmo à figura de um filho. Entretanto, até esse laço é contextual. Pois o solitário é aquele pai/mãe que vai deixar esse filho seguir livre quando for o momento, sem drama, sem posse.

Se você é um desses híbridos, você é feliz sozinho. E felizes das pessoas que tiverem o privilégio de desfrutar de você, seja pelo tempo que for. Porque você vai se dar ao máximo e exigir tão pouco. Só o suficiente para absorver o que falta. E na hora do adeus, porque sempre vai chegar essa hora, você vai sorrir e deixar aquela pessoa partir.

Alguma semelhança? To mentindo? Continuo chovendo no molhado? Tudo bem, já terminei!

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