sexta-feira, 4 de março de 2011

Alma Vampira


Se pelos lados obscuros de cada alma pairasse uma sombra solene, andando sorrateira e entremeando soleiras escusas, dir-se-ia que uma e todas essas almas sofrem de um misterioso mal. Eu vos digo, entretanto, que o mal referido não temais. Posto que é o pulsar do vampiro, que espreita a mente e se derrama aos olhos. Virtude da morte que arde ao vislumbrar a caça, tórrido entorpecer dos sentidos. És, pois, vampiro, o pouco solene que permeia a mim. Parte de meu saber noturno, todo do escuro que perpassa meu ser. E se vós também sofreis da doce dor da falência da carne, se tendes dentro de vós a frieza do gelo da eternidade, erguei do túmulo dos dias esse vosso corpo cansado e vagai pela noite, pois sois também como eu. Um vampiro em busca do sangue, calma criatura dos séculos, que busca o prazer das luzes sem retirar o coração do breu. 

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