sexta-feira, 4 de março de 2011

Amor e Morte


Peço licença pra divagar também.
Quem de vocês já não sentiu aquele calafrio desavisado, aquele choque elétrico que acontece bem na boca do estômago e deixa você impotente, de pernas bambas e respiração entrecortada? E quem de vocês não sabe que isso se chama paixão?
Pois, absurdo dos absurdos, o mesmo sentimento que esquenta, que alucina, que palpita, que deixa as bochechas vermelhas e os olhos molhados, aquele que faz tremer e suar as mãos, trava o raciocínio e coloca a todos nós, ingênuos mortais, em estado de graça... esse sentimento mesmo também nos é o causador de uma morte fria, dolorida, inevitável.
Triste é a existência do apaixonado, que se consome solitário em devaneios seguidos de desejo, que beija o travesseiro e sente os próprios dedos como se fossem os do alvo de seus quereres. Pobres tolos apaixonados, derramando-se em deleite por um objeto sagrado, intocável por sua simples ignorância, desconhecido e idealizado a cada segundo.
Atirem a primeira flecha aqueles que nunca acordaram, ofegantes e suados, sobressaltados, de um sonho lívido, aveludado, erótico. Aqueles que nunca perderam horas do dia em diálogos mentais melodramáticos. Que, ao fechar os olhos, não tinham um rosto impresso na mente, um cheiro, um gosto imaginário.
Quem nunca se perdeu em lamentos, morrendo a cada minuto ao deparar-se com a realidade crua? Quem não atirou juras ao vento, sentindo o coração sangrar e o desejo a consumir cada víscera? Quem não sucumbiu, por uma vez que seja, nessa febre gelada, esfomeada, mortal?
A esses, que não sabem do que falo, minhas saudações. Jamais morreram, jamais amaram.
Aos que sabem, meu eterno pesar e minha simpatia. Pois que tais almas sofrem do mesmo mal que eu. E morrem-se em si mesmas a todo instante, apaixonadas que são.

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