sexta-feira, 4 de março de 2011

Frêmito


Antes...
O sol a escorrer pela curva dos seios. O corpo trêmulo de desejo e ânsia. Fogo e gelo a lamber os poros. Choques elétricos ao abraço do vento. Leves teias pairando diante dos olhos. O torpor da mente e o latejar da alma. Cálido esperar pela chuva, reconfortante arrebatamento. O evaporar das marés, o pulsar da terra.

Durante...
Terremotos rugindo trovoadas subterrâneas. O sangue fervendo nas veias, nas têmporas. O aço que sustenta a vida e a vida escoando tal qual lava. O rasgar do tempo, o desnudar do ventre. Suor vertendo em pecado, derramando bênçãos. Deleite de leitos rasos varridos por tempestade. Eletricidade, explosão.

Depois...
Silêncios sonolentos de ouvidos mudos. Uma delicada aridez, quase glacial. A pele úmida, arfante. Aroma das noites de outono. Unhas e cabelos dormentes. A consciência que vagueia, bêbada, em direção ao lençol de luar. Sorriso com gosto de sal. Êxtase sonâmbulo no limiar do desfalecimento. Ausência.

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