quinta-feira, 24 de março de 2011

Por um abraço (2011)


Não, esse texto não é pra você! Se parecer que é, ignore. Se faça de morto! Mude de blog! Qualquer coincidência é mera semelhança.
Do que essa louca maníaca está falando? De amigos!

Parei pra pensar, dia desses, por que as pessoas nos fazem tanta falta. E fazem! Uma falta incrível. Relações humanas são prolixas, concordo. Valorizamos o contato até as últimas consequências. Alguns de nós, ao menos. Chego a me doer quando não consigo teclar com alguém de quem gosto ou quando ninguém responde um post. Sim, você leu certo. Teclar. Post.

Descobri recentemente (mentira, eu já sabia) que meus melhores-grandes-necessários amigos são avatares inertes na claridade da máquina. Descobri que falo através das pontas dos dedos. Sou viciada em Internet? Não. Sou solitária. Sou aquela que não estabelece relacionamentos reais por pura falta de gente por perto. Aquela que toma para si os amigos da cara-metade e, quando a metade vai embora, tem-se que ajeitar amigos novos. Exagero, claro! Se não fosse exagerado, esse texto seria de outra pessoa.

Mas, o fato é que tenho descoberto pessoas tão geniais, tão interessantes, tão melhores-amigas-do-mundo (peguei a mania do Moa de juntar palavras com hífens), que é difícil não fazer amizade. Pessoas que falam a minha língua, que se prestam a ler as minhas chorices, as lamúrias, os devaneios. E mentem bem pra agradar! Gente que ri de piadas idiotas e tem sempre um “bom dia” lá pelas três da tarde, ou às oito da madrugada, depende do caso! Um povo que deixa a gente se meter nas conversas, que responde qualquer bobagem, que está sempre lá. De uma forma ou de outra, eles estão sempre ao alcance. Sempre disponíveis. E não estão.

Até os conhecidos de fato, os que dividiram sorrisos reais, cervejas reais, até esses se virtualizam, pois não nos “vemos” fora da caixinha cheia de letras e links, que passa correndo de uma janela a outra, trazendo a sensação de que a sala está sempre cheia de gente. Até aqueles mais reais, que já foram reais até demais, até esses viram figurinhas extravagantes em um perfil. Viram frases terminadas com carinhas de dois pontos-parênteses.

Vozes mudas, risadas descritas em hordas de letras sequenciais. E nos pegamos sorrindo para a fotografia que no sorri. Nonsense. E nos pegamos desejando ardentemente vislumbrar um rosto real (que não venha em transmissões truncadas de webcam), implorando inutilmente por um mero abraço, um “Oi” falado fora da caixa de som, um silêncio presencial.

As distâncias ultrapassadas, as fronteiras derrubadas e nós aqui, mais sozinhos do que nunca, na companhia de uma conexão banda larga. Espero que ninguém deixe de “falar” comigo por causa desse texto! ;)

2 comentários:

Thais Liana disse...

Tô querendo é falar bem de perto!

Ricardo disse...

Que lindo. Rararararararara No centro da beleza de uma perfeição encardida de verdades dum bocado por aí, há também espaço pra imaginar outros bocados de coisas. Por ex: eu leio o que tu escreve.