domingo, 24 de abril de 2011

Gozo


Energia frenética, força que move as terras, brasa que aquece o sol. Tua pele recendendo a almíscar, canela, jasmim. Tua pele vertendo orvalho. Suor perfumado, gostas de sal. E aquele arrepiar que transcende os pêlos, eriça os poros, derrama êxtase. Enquanto cada músculo se empenha em salientar-se mais. Seiva e viço. 

Ombros rígidos, costas arqueadas, dedos crispados em mãos tensas. Pernas vigorosas embalando coxas úmidas pelo mesmo sal. Teu corpo inteiro pulsa ao ritmo do girar do mundo. Coração descompassado retumbando nas têmporas. Fogo a correr nas veias, incendiando a serpente que acorda e desabrocha, se insinuando sedenta em direção ao céu. Sangue e curvas. Frenesi.

Tua sensualidade embriaga, emudece. Teu serpentear inebria, desrespeita. Teu peito arfante impõe o ritmo da dança das eras. Teu hálito escapando dos lábios é veneno, é antídoto, entorpecente. Teus olhos fechados sonham todos os desejos não ditos. Agonia. Tua voz ronronando um gemido inaudível, rouca e arrebatada, é o puro sopro de Deus. Volúpia.

Tua boca – ah, essa tua boca! – displicente, de lábios mordendo dentes, é poço arrebatador de almas. Tua boca que se abre mais, no grito contido, sufocado. O gemer virando rugido, o bailar do corpo a errar os passos, a estremecer. As mãos agarrando mais forte, o coração quase a explodir. 

É quando me vejo em teus olhos de repente abertos. Olhos vidrados, sem nada ver. Olhos brilhando além das dimensões. É quando tudo se torna vertigem. É o desfalecer dos sentidos, o frear do tempo, o inexistir. Fractal do universo. Luxuria, libido, orgasmo. Vida e morte. Tudo em ti. E nada mais há, só teu cheiro, teu gosto, teu gozo.

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