domingo, 22 de maio de 2011

Céu Acinzentado


A brisa faz sentir minha pele
Acariciada e fina
Preciso ser tocada por mãos humanas
Ou será que o vento me basta?...
O toque sutil de mãos masculinas
Ao mesmo tempo ásperas e possessivas
Vem trazer ao meu corpo
A sensação do temporal
Ríspido e mágico na ventania das almas
Brandindo seu sussurro ensurdecedor
Que tem o som de mil silêncios
A gritarem ao meu redor
E eu me sinto limpa
Purificada pelo seu cheiro
Impregnada com suas macias mãos de chuva
Como o gelo que esquenta os corpos
Nas noites frias do calor do outono
Deitada num leito de sombras e sussurros
Que se faz em cores e gritos de prazer
Gritos histéricos que atordoam
E se fazem suaves como Choppin
O som de pianos sem as teclas
Harpas e flautas sem dedos que as vão tocar
Violinos sem cordas ou arcos
Que arqueados no caos
Hão de fazer-me viver
A plenitude do prazer da vida
Incolor e antitérmica
Pelo apogeu dos mistérios do meu ser

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