sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Tempo


O tempo cura tudo. O tempo lava a alma de velhas feridas. O tempo turva qualquer imagem. As marcas mais profundas, as tatuagens perpétuas, tudo esmaece diante do tempo. E quanto tempo é preciso para apagar uma pessoa? Quanto seria necessário para tornar um sentimento em nada?

Divago olhando imagens, essas agora tão disponíveis, e encontro rostos que já tiveram tanta importância. Hoje, depois do tempo, são apenas rostos. Alguns até meros desconhecidos. Não pela ação implacável dos anos, mas pelo desgaste imperceptível do tempo. Esse tempo que transforma febres em brisas, que transforma paixões em retratos desbotados. 

E esses rostos que me encaram imóveis, imutáveis, já não guardam com eles qualquer fagulha de importância, qualquer mera sombra de emoção. O tempo determina a duração do que é sagrado. O tempo apaga qualquer cicatriz. O tempo cura tudo.

Um comentário:

dolfomachado disse...

O tempo urge. O que são nossas urgências perante ele?
Poderoso esmaecedor de tudo, do bem e do mal, e diferentes misturas possíveis entre os dois.