quinta-feira, 5 de maio de 2011

Platônicos

Não preciso de nada mais de ti. Só de tua existência. O ato de estares me basta. Não quero te ver todos os dias de todas as horas de todos os tempos. Só quero saber que estás por perto. No mundo. Não quero que me vejas, prefiro continuar invisível. Não tento te alcançar, não te toco. Não sei mesmo como é o timbre da tua voz. Não quero te ouvir, não quero que me ouças. 

Quero ser apenas a sombra que vela teus passos. Quero te amar a distância. Te dedicar cada um dos meus pensamentos eternos, fugazes, aleatórios. Meus versos, meus cânticos. Quero só pensar em ti e te idealizar. Deixa ser, sem saber, essa paixão imutável que me corrompe. Que me torna melhor, menos má.

E te quero assim, distante, porque não nos foi dado sermos iguais. E amores platônicos só dão certo na igualdade, no espelho. E se és assim tão diferente de mim, é porque não seremos um par. Meu destino e o teu não se cruzam. Nossas mãos jamais se entrelaçarão.

Se tudo fosse real, seria pior. Pois eu não aguentaria te ter e deixar de te ter. Prefiro, então, não te ter nunca. Só assim, tatuado na alma. Entendes?

Um comentário:

Ricardo disse...

A universe in silence, accompanied, followed by tones imaginary e alguns sonhos de esperança.