domingo, 19 de junho de 2011

Não Vou Mais Amar Você


Chega! Não vou mais amar você! Já basta desse querer à distância, e se não fosse a distância seria outra coisa, outra realidade. Tudo em nós nos afasta, apesar de tudo o que nos aproxima. Paradoxo fora de contexto, fora de tempo, de ato, de fato, de pele. Eixo quebrado de circunstâncias insolúveis.

Por tudo isso, deixo de amar você. Deixo agora, para nunca e para sempre. Já estou farta, já estou exausta, já estou tão velha pra essa brincadeira de gato e rato. Eu sou o rato? Ratoeiras à parte, devo admitir que é extenuante te amar assim. Cansa mesmo, acredite. Dia a dia, sem saber se você lembra de mim.

Essas e outras me fizeram decidir parar de amar você. Entenda, nada pessoal, tudo pessoal, tudo ao contrário. Se ao menos essa lástima, essa guerra, esse não interagir homem-mulher se extinguisse... Se ao menos, nessa dualidade, o homem fosse eu e você fosse... você. E fosse meu.

Então, vim apenas anunciar que estou, em definitivo, abdicando de amar você. Deixo meus tesouros à própria sorte, minhas letras devolvo ao vento e assino meu testamento abrindo mão desse amor. E o único beneficiário é você. Fique com tudo. Não quero meu coração de volta. Você o ganhou sem pedir e o merece, afinal. 

Sim, testamento. Pois, se não vou mais amar você, já não existo, já não insisto, já não me quero. Deixo de amar você porque te amo demais pra seguir sem te trazer no peito, aninhado, sólido, eterno. E repetirei essa mentira pelos dias que me restam. Até me convencer. Porque deixar de amar você, menino, é dolorido, é insano, é impossível.

Um comentário:

Ricardo disse...

Incrivelmente hetero e tan bissexual! Bello.