terça-feira, 21 de junho de 2011

Nós Dois

Não sei o que mais me dói. Se mirar teus olhos castanhos sempre sorridentes ou antecipar o aroma dessa tua pele canela. Não sei se o que me dói é tua ausência próxima, ou tua presença distante, constante, arredia. Só sei que me dói a espera. Dói-me esperar por ti.

Sei que não deveria ter-me deixado assim, tão dependente. Mas é que depois de tua risada – aquela risada largada, sonora, gostosa, carinho na orelha – do outro lado da linha, me peguei a fantasiar quando rias.

Tenho certos ciúmes de teus afetos, de teus fazeres, de teus estudos. Tenho certos ciúmes de teus sumiços, de teus chamegos, de tuas filosofias. Compreensível? Já não sei dizer. Só sei que tenho, esses ciúmes. Só sei que te sinto parte inata de mim. Pretensão? É possível! Pois que antecedentes me dás para que eu te queira para mim e mais ninguém?

Ciúme de amigo, quem sabe? Desculpa esfarrapada, confesso. Mais que amigo, mais que meu, eu mesma, nós dois. Há um tanto de mim que é tão teu que, por vezes, te esqueço como homem, como macho. Só te vejo – andrógino – minha metade morena.

Todavia, o que me dói de verdade é tua crítica, tua verdade ácida, tua opinião por vezes perversa de mim, do que sou. Temo que tu não me gostes tanto assim. Se não te agrada a minha letra, como irei eu agradar-te? E tenho medo de que não me precises como te preciso, que não me ames enfim, que não me queiras mais assim, alma-gêmea. 

Receio que enjoes de mim. Receio te perder, meu mimo, meu doce, meu anjo. Meu, só meu, nessa vastidão virtual. Minha paixão baiana, sabor dendê!

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