sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Eu Quero!

Eu quero ter um milhão de amigos, disse Roberto. Eu quero a sorte de um amor tranquilo, recitou Cazuza. Eu só quero um amor que acabe o meu sofrer, segundo Gil. Eu quero você, como e quero, by Kid Abelha.

O que eu quero? E o que eu quero serei eu a querer? Sim, a eterna permuta do ser. O que quero, o que sou, o que tenho, o que conquisto, o que posso. E eu quero apenas olhar os campos? Não! Claro que não! Quero a fumaça cinza das fábricas. Eu quero só você.

Quero o poder de querer e de conquistar. De brandir espada e reluzir escudo. Quero a morte o a sangue nas mãos. Quero eliminar inimigos, fazer reféns, queimar palácios. Quero a luta e quero o prêmio. Quero a virtude da donzela e a paixão do efebo. Quero a sapiência do vizir e quero a diplomacia do bárbaro. Quero fazer de ti meu escravo, meu consorte, meu tesouro. E te pilhar.

Eu quero a vastidão devastada do peito apaixonado, da mente embotada pelo corpo nu, dos sentidos frenetizados pelo cheiro da carne. Quero tua carne crua, servida em bandejas de prata e entre lençóis de linho. Brancos, a conter o sangue de tua castidade. Quero tua dor e tua glória, quero teu instinto e tua singeleza. Quero abusar de tua alma ainda não perversa e deleitar-me, é o que eu quero, nos quatro acordes do teu verso.

Eu quero tomar de assalto a tua pureza intocada. Eu quero ser a possessão demoníaca que suga tua alma. Eu quero beber tua saliva e tuas lágrimas. Eu quero te submeter a mim. E eu quero que essa vontade não passe. Quero que permaneça no éter como espectro errante a rondar teu leito. Quero sorver a vida que existe em ti, tua razão, teu orgulho. É o que eu quero.

Quero afogar-me dentro do copo gelado. Quero corroer-me como veneno sobre os vermes. Quero domar minhas ânsias animalescas de fogueiras pagãs. Quero parar de te desejar. Parar de sonhar contigo, é o que eu quero. Juro que quero...

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