sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Irrepreensível

Essa sua dualidade é impensável. Irrepreensível. O que mais dizer?... E quando você vem, assim, manso... procurando colo, procurando achego, procurando consolo, quem sabe. Como resistir a você, a esse seu charme criança, essa doçura infantil regada a puro sex a peal? Como resistir?

E você ainda ousa dizer que não é amado, que não é bonito, que não é! Blasfêmia, heresia, pecado mortal! Logo você, fonte inesgotável de beleza tão rara. De vontades tão rasas. De desejos pueris. Logo você, fonte absoluta de meus anseios, você que eu venero como se venera a um Davi... assim, de longe... Logo você vem dizer que é menos que esse tudo e que tudo se revela em nada em você.

Mentiras, mentiras. De alguém que ainda vê o mundo com os olhos da puberdade recém perdida. Da fragilidade, da infância arredia, da inocência. Inocente, sim! Que mais dizer? Alguém que não imagina o quanto é perfeito, o quanto é belo, o quanto é! O quanto ainda pode ser...

E perdôo-te qualquer pecado, esses de arrogância, de ignorância, de insapiência. Perdôo qualquer rompante seu, qualquer arroubo breve. Tudo enfim, desde que ainda esteja ao alcance da minha voz. E essa sua voz que me deita por terra, que me arrasa as forças, que me elimina... 

Deixo de ser eu mesma, menino, para ser o que você quiser de mim. Deixo de me pertencer para pertencer-te. Deixo-me, se você assim quiser. Mas você não quer. Não me quer. Quer me ensandecer. Tanto é seu ego que não percebe o quanto de mim é seu. Que sou de mais ninguém e a ninguém mereço-me tanto. 

E é nessas horas, nessas conversas, que esse seu ciúme mal disfarçado me incendeia. Esse ciúme que vem em forma de orgulho ferido. Que renega comparações. Mas que nada mais é do que queixa suprema de me ter só pra você. E assim eu sou, somente sua. E assim serei, a estátua a venerar-te, até o dia em que você, magnânimo de seu pedestal, puder e quiser olhar pra mim.

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