terça-feira, 19 de junho de 2012

Sexo...


Na penumbra, bebo de teus olhos a impaciência contida. De teu beijo, a saliva morna que me diz tuas vontades. Absorvo a pressão de teus lábios em meu seio, fazendo aquela cócega espalhar-se. Esquentando as entranhas, como Frangélico faz incendiar a boca ao primeiro gole. 

E tuas mãos a periciar cada dobra de minha pele. Acariciando meu ventre, apertando minhas ancas, escorrendo por minhas coxas. E teus dedos se lambuzando na cavidade úmida entre minhas pernas. Deixo escapar um ronronado, um gemido. Não é dor, é lascívia. 

Eis que, de repente, tu cresces diante de meus olhos. Vejo-te avolumar, tal qual gigante pesando sobre mim. O subir e descer do peito me faz adivinhar a urgência de teu desejo. E me deixo tomar em teu abraço, enquanto tua língua busca a minha. E me penetras, poderoso. Posso sentir cada um de teus músculos tensos, teus pêlos eriçados, tua respiração arfante. E mais que tudo isso, teus olhos sobre mim, buscando reações, alimentando-te de meu prazer.

Cavalga-me, arrebata-me no movimento brusco, meigo, egoísta. Tua face em minha face deixando que eu te ouça urrar. Fera abatida, macho predador. Minha presa. Pura fração da eternidade até que teu gozo se mistura ao meu. 

E então, o deleite, o suor misturado, o cheiro de nossos corpos em brasa. Chama que arrefece. Tua cabeça em meu peito, teu coração descompassado. A fera que se rende por meus caprichos mais vis. Resta-me teu olhar, tua boca. E a certeza de que, logo, serás novamente meu.

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