sábado, 14 de julho de 2012

Tic-Tac


Sinto o peso da idade invadindo as entranhas. Sinto o roubo das horas, a agonia da pressa. Sinto o cansar dos passos não dados. O arrastar das ideias. Sinto a década como se fosse o dia. Sinto a mácula da face no espelho. Minhas marcas.

Estou ciente dos vestígios, das migalhas pelo caminho. Consciente de tudo que era, que já foi, que não volta. Não há volta. Só há o rumar inerte ao começo do fim. Esse final que, ao que parece, já é agora.

O futuro? A mente alerta que traçava planos não é a mesma mente mansa que vê os ponteiros do tempo contando em anos. Tic-Tac. Não vejo o tempo passando. Só ele me vê. Não há trilha. Não há tempo.

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