quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Conto de Fadas?


E ela descobriu que o amor de sua vida estava namorando. Falaram por tenros vinte minutos ao celular. Ele parecia muito mais maduro, mais centrado. A voz mais solta, mais serena. Tinham-se visto por algumas horas em um evento dez dias antes. E ele já dava sinais de mudanças profundas.

Mais magro, mais sorridente – ele que não sorria quase nunca –, mais descolado. Dono de si o suficiente para cruzar o salão e ir dizer um “olá” ao passado. E voltar ileso, confiante. Deslizava em vez de andar.

Ela notou, óbvio. Mas os joelhos tremiam tanto cada vez que ele colava o corpo no dela, que nada mais na mente havia senão aquele rosto, aquele cheiro. E notou algo mais. Sua reação quando ele surgiu foi inimaginável. Sentiu-se uma adolescente boba ao saltitar ao redor dele. Idolatrá-lo.

Ele notou, óbvio. E como sempre acontecia, cedeu um pouco mais. Ele sempre se dava um pouquinho a mais a cada encontro. E foi justamente dessa vez que os lábios se encontraram. Tímidos, contidos. Um selinho bobo. O beijo que ela esperava há tanto tempo...

E depois, ele sumiu. Disse tchau. Desapareceu na noite. Dez dias mais tarde, o telefonema. Era quase outra pessoa, tão mais solto, tão mais feliz.

– Gostei tanto de te ver no evento – disse ela.
– Também gostei. Mas queria ter ido com uma pessoa.
– Pessoa? Tá namorando?
– Quase isso – ele respondeu, um leve riso na voz.

E ela perguntou e ele respondeu. E tudo desmoronou por um momento tão rápido, que passou sem que ele percebesse. Ela controlou a voz e ficou feliz por ele. Ele que era seu amor mais terno. Ele que era tudo que ela sonhava. Ele que ela sabia que jamais iria ter.

Tortura deliciosa essa de amá-lo assim, à distância. Claro que ele sabia. Não tinham muitos segredos. Mas sabê-lo em outros braços, em outra boca, era quase demais pra ela. Quase!

Saber dos pormenores, de outros fatos, aí já era outra história. Amava-o além dos limites, mas não a ponto de colocá-lo acima de si mesma. Sentia ciúmes, óbvio! E ele não parecia perceber. Ou percebia e fazia de propósito. Menino mau.

De qualquer forma, o fato – ou o ato – fora consumado. Restava enternecer por ele. Restava engolir toda forma de sofrer e esperar que ele ligasse pra falar de trivialidades, do tempo, de seu novo amor... Ela prenderia a respiração e escutaria. Afinal, era inevitável. Estaria sempre ali quando ele a quisesse.

Nenhum comentário: