segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Distância



Há de ser compreensível o sentido do vazio. Há de ser sublimada a ausência involuntária. Há de ser descrito em ode, em verso, em soneto o abandono da saudade. Saudade, sentimento doloroso, prosa sem rima, sem amarra. Saudade que se instala como febre, como praga. Saudade que faz voar a mente incauta.

Sentir dessa saudade é o bem que se torna martírio. É o querer que desfaz-se no brilho tão distante das estrelas no céu escuro. É desejar perto aquele tal que se faz ausente. É ansiar presente a simples consciência do querer.

Paz não rima com saudade, pois que a distância enevoa a mansidão do coração enternecido. Qual destino que brinca com o imaginar alheio. E pensar é desejar mais perto. É querer, por certo, o aconchego do abraço. É fechar os olhos e sentir presente a quem longe permanece.

Sonhar é a dádiva da separação. É sublimar a ausência, é tolher a saudade. Amar, porque é no amor que o sonho permanece físico. Paixão intermitente de desejo, de quereres. Amor que aproxima as almas e faz diminuir o espaço. Só assim se pode almejar ser feliz tão distante.

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