sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Autopiedade



Devo dizer que estou bem, então? Devo mentir? Agradaria aos alheios? Por certo que pareço bem, sempre pareço. Pouco me diz a dor do mundo. Não, não me importo. Sou ruim? Pois, que seja. Assim seja! Não aprendi de um dia para o outro a ser insensível, acredite quem quiser.

Mas o fato é que aprendi. Endureci. Agora não sei ser diferente. É errado que eu me preocupe com a minha própria dor? Não, eu não acho. Quem, além de mim, se preocuparia, afinal? Sou aquela que todos procuram. Sou aquela que a maioria teme. Sou a que não precisa de preocupação.

Por quê? Porque estou sempre bem, sou o eterno apoio, a tábua de salvação, a âncora. E é sério que muitos me veem assim. Cansei de tudo isso faz tempo. Ou será que ninguém percebeu? Também dói em mim. Também preciso de ancoragem. Mas, estou bem. Não se preocupe.

Siga seu caminho, não olhe para os lados. Não levante a fronte, ou você pode se deparar comigo. E não seria uma imagem bonita. Ou seria? Não, com certeza você não quer ver a minha face. E eu também não quero ter de sorrir quando você perguntar: “Tudo bem?” Sim, tudo ótimo. Tudo está sempre muito bem. Obrigada!

(Não se assustem, meninos. É só um texto.)

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