terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Blaue Augen



Parece pieguice falar dos teus olhos. Parece pouco, brega, obtuso. Parece pobre. Parece falta de idioma, parece resto. Parece normal, trivial. Parece óbvio. Sim, parece. Mas é porque ninguém mais consegue ver de frente esse espelho azul, essas duas gotas de safira, esse errar de firmamento que faz brilhar teu olhar.

Duas fendas de azul profundo, de puro anil oceânico. Nem as mais densas nuvens tiram dos teus olhos esse céu escancarado a olhar para tudo, para todos, menos para mim. Ai de mim, que me perco no celestial desse teu olhar. Sem que percebas, é esse índigo sereno que me hipnotiza.

Mar revolto, onda mística. Desfaleço quando, além de tudo, tens guardado um sorriso a estreitar pálpebras, a delinear contornos. A tecer sobre quem te vê esse véu célico e morno. Pálida solidão essa minha, que passa despercebida por teu olhar. Esse que acalenta o mundo e deságua na mansidão do infinito.

Quem me dera ser estrela a flanar no horizonte dos teus sentidos. Quem me dera ser um cílio, a abraçar-te a cada piscar. Quem me dera ser o alvo desses teus olhos de piscina por um instante e mergulhar sem medo de me afogar em ti.

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