quarta-feira, 20 de março de 2013

Eu que sou Estrela



Não te tenho por perto e já sinto tua falta. Sinto falta de algo que só tu tens. Um quê magnético, imantado. Será que tens? Será que me percebo em ti, e só? Sim, questiono a cada instante, se te percebo só a ti ou se me significo no que és, no que não fui. Será?

Mas o que fui, o que me tornei, é tão diferente de ti. Tão apartado de teus desejos e conquistas. Se me reparo no teu ser, é porque te vejo – e só a ti – antes de mim. Vejo quem és. Será que enxergo bem?

Desvendar uma pessoa é tão complexo quanto desmembrar qualquer roteiro. Decupá-lo quadro a quadro! É definir o personagem que não é ficcional. É discorrer sobre a alma que, por si só, se eleva por sobre a compreensão mundana.

Um criador reconhece outro, um ficcionista se vê no espelho. Mas, mais além, quero perceber de ti a integridade de espírito. O que te dói, o que te trava, o que te alimenta. Quero ser – pretensiosa que sou – esse alimento d’alma... Permites?

Quero mais que uma biografia. Quero muito além do que os meros mortais dispõem. Quero ser única na tua arca divina. Quero ser a bruxa de teu romance fantástico, o robô, a ninfa, a musa... Quero ser parte de tua criação. Se deixares, serei mais.

Serei a deusa que desce à Terra para deleitar-se em teus sentidos humanos. Serei a bárbara a empunhar espadas e a lutar por tua atenção. Serei guerreira, maga, fada. Diz como me queres e serei tua criatura, tua... só isso.

Pois que tu és o criador absoluto de meu destino. Dá-lo-ei inteiro a ti. Eu, que sou estrela, que sou divindade, Calíope. Eu que me entrego a ti para ser redesenhada, roteirizada, dirigida... recriada... E a pergunta permanece... Queres?

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