segunda-feira, 25 de março de 2013

Terezinha Pós-Moderna



“Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão. Acudiram três cavalheiros, todos três chapéu na mão.”

O primeiro foi impacto. Foi o beijo na calçada escura. Foi paixão arrebatadora. O primeiro foi moicano, bandana, alargador, tatuagem! O primeiro foi puro fogo, testosterona. O vigor da juventude. Impulso, suor e pêlos. Foi violência e ardor. Mas também foi meiguice, segurança, foi docilidade e susto. O primeiro foi tudo o que ela queria. Um misto de homem e menino, um mistério denso, delirante. E foi medo, foi arisco. Deixou um rastro de saudade e lágrimas. Deixou o gosto de cerveja forte. E ela chorou pela ausência ele.

O segundo foi delicadeza. Foi o reconhecimento, o interesse, a lembrança. Foi o gostar suave, desvendado aos poucos. Foi palavra, foi imagem, criação. Foi puro carisma, afinidade. O aconchego da maturidade a conflitar com a alma juvenil. Foi decência e amizade, foi aceitação. Mas também foi impossibilidade, foi barreira imposta e intransponível. Um doer-se de mundo, de experiências inexatas. E foi intocável, foi inacessível. Deixou o gosto do beijo não partilhado, deixou apenas tristeza pelo que poderia ter sido, pela cumplicidade não dividida. Deixou aspiração. E ela decidiu não chorar pela distância dele.

O terceiro foi corpo. Foi pele de seda, apego, carne. Foi o desejo aflorado, saciado, envolvente. Foi silêncio, atitude, magnetismo. Foi puro sexo, redenção dos sentidos amortecidos. Foi aventura, motocicleta, vento. O calor da cobiça a incendiar o ego. Foi luxúria e soberba. Mas também foi aconchego, mansidão, respeito. Um querer sem consequências, uma ausência de cobranças, um faltar de compromisso. E foi delicado, saboroso, foi apenas prazer. Deixou um gosto acre da falta de sentimento, do anseio satisfeito, nada mais. E, por ele, ela não chorou.

Ao fim do triângulo, cada qual em sua conta, cada um com sua quota. Ao final dos três cavalheiros, a moça chorou por si mesma. Pois que unindo dos três o melhor que traziam, teria para si o homem perfeito. Todavia, apartada de todos, ela lamentou o resultado, o desafeto instaurado. A qual o coração escolheria? E quis para si apenas um deles... E quis para si o único que não tinha esquecido, que não tinha contido, que não tinha podido, que não a tinha amado...

A moça quis a força plena da paixão espontânea. Sentiu falta da voz ao alcance do ouvido, e a vontade de mais um abraço, mais um beijo apenas. Mais um pouquinho daquele mistério que não era dela. E que, talvez, jamais fosse. Era esse a quem queria. Era dele aquele amor. Por isso, seguiu sozinha, Terezinha!

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