quinta-feira, 21 de março de 2013

Um Ramo de Alecrim



Quem é tão especial quanto deseja ser? Quem se vê como é e quem se imagina? Quem de nós idealiza-se no olhar do outro? Quem, dentre todos nós – sonhadores –, está realmente preparado para saber-se menos do que gostaria?

Só sabemos que a opinião alheia importa quando esse alheio é tão próximo que nos fere o ego. Só nos sabemos insossos, comuns, quando esse mesmo alheio não nos vê. E, se vê, não parece admirar como deveria, como poderia, como queríamos... De quem é o erro? Daquele que vê ou daquele que é visto?

A florzinha de alecrim que afoga ao lado da rosa sabe o peso de ser um ser mediano. Ainda assim, a flor do campo insiste, resiste, está lá, dourando qualquer gramado que lhe permita existir. Sombreada e esquecida, erva daninha no matagal. Quem sabe, nem a flor se saiba menos linda, nem o campo a veja como é. De qual dos dois é o erro?

O mais triste é que saber-se especial não significa sê-lo. Triste é não ter em si – em mim? – o poder tão cobiçado do encantamento, do arrebatamento, do causar arrepios. Desejar sem ser desejado. Obscurecer diante do brilho não refletido. Não fixar no olhar daquele que deveria – deveria? – nos ver como diamante, supernova!

Algo de prosaico em nós nos apaga. Algo corriqueiro, banal... nós mesmos? E nos pegamos com inveja de desenhos de super-heroínas. E nos pegamos com a soberba desterrada, arrasada, silenciosa... E nos pegamos desejando um segundo olhar, uma segunda opinião. Descrédito? Não. Talvez a busca pela aceitação roubada, pela ilusão desfeita.

Talvez, tudo não passe de uma vontade inata de ser especial para alguém. Talvez, tudo se resuma a causar nesse alguém o mesmo impacto que ele nos causa – sem saber, quem sabe. Talvez, tudo isso não ultrapasse o egocentrismo desmazelado de quem – eu? – ainda não consegue conviver com a própria banalidade. Ou, talvez, o alheio simplesmente não goste do que vê...

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