domingo, 8 de setembro de 2013

A Ausência da Voz



Ando surda. O mundo já não profere sílaba. Ando muda, nenhuma palavra me transcreve. Ando, em vão, buscando teu verbo, teu ego, teus sons. Essa omissão de dizeres me fere os sentidos. Já não ouço nada...

Quero a tua fala a me confessar segredos sussurrados. Quero tua risada a preencher meu peito. Quero teu timbre a embalar as batidas do meu coração. Quero, preciso, ouvir tua voz. Só a lembrança retumba teus ais.

Parece que o universo retrocede. Nenhuma tecnologia é capaz de te alcançar. Preciso escutar tua histórias, teus mito, teu medos. Preciso sentir tua respiração próxima à minha. Quero confidências, suspiros, gemidos.

Só não quero mais esse silêncio que me atordoa. Essa quietude que em nada me traz a paz. Dolorosa essa espera tão quieta pela tua volta, pela tua voz a me dizer tudo que quero escutar. Ou a não me dizer nada...

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