terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ensueño



Te procuro de noite. Naquela hora em que só eu e o travesseiro sabemos o que se passa no fundo da consciência. Te busco em sonhos lúcidos, em devaneios solitários que te trazem pra mais perto. Quase tão perto de mim. Te vejo de olhos fechados, como se a distância entre nós não passasse de um esticar de dedos... Sentes?

Meu dia desperta ainda sonhando contigo. Ensueño ensaiado, performático. Quase acaso, quase ocaso. Desertos de recordações, porque nosso passado não era nosso. E não éramos nós dois nesse antes. Distância dos anos, distância do tempo, distância dos corpos. Somente a brisa a me trazer teu perfume e levar o meu até onde estás... Sentes?

Mesmo assim, tão longe, cultivamos, tu e eu, uma sintonia fina, refinada. Uma teia translúcida e etérea que nos conecta. Que separação tão doce essa que nos fez tão mais juntos. O pensamento aconchegando o que o afago não pode alcançar. Um carinho na saudade que nasce tão terna, tão sem querer. Um abraço cósmico... Sentes?

E calma é a espera pela asa do anjo que te trará pra mim. Pela fluida dança das estrelas que vai te guiar ao meu encontro. E tu virás, eu sei. Quem sabe em nuvem, quem sabe em nave. Quem sabe só esse querer de duas almas cansadas da solidão bastará para que o sonho se torne toque. E seremos nós dois, um só, só isso!

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