terça-feira, 10 de setembro de 2013

Refúgio



Uma catedral gótica e seus vitrais coloridos e sua torres pontiagudas e cinzentas. Um santuário de ouro repleto de imagens de santos penitentes e anjos armados com espadas. Nave e altar, templo austero... Ou o simples deitar da cabeça em teu peito e esquecer a vida lá fora.

Gruta oculta na montanha mais íngreme. Caverna escura revestida de pontas de gelo. Cânticos dos monges a louvar a essência, a não-existência. Local de cura das almas que se perderam na tempestade dos dias.... Ou só um beijo de teus lábios em minha fronte, doce e terno, eterno, manso.

Claustro ou catacumba. Estrada vazia, soleira. Um lugar para recuperar a força, remendar a armadura, chorar a batalha perdida ou vencida. Prantear os mortos, as nossas mortes tantas. Um ponto de fuga, um portal... Ou simplesmente o calor dos teus braços macios ao meu redor, protetores, a embalar meu sono.

Cada passo em falso leva ao mesmo caminho. Cada dor, cada fagulha, cada mágoa. Cada derradeiro desejo vertido ou contido. Cada vacilo. Tudo termina e recomeça no alento que só sei ter em ti, meu refúgio do mundo. E me aconchego, segura, em teu corpo. Até outro novo amanhecer nos separar...

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