quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Saudades de Ti



Saudade de ti. Saudade, saudade! Oh, Deus. O que mais posso dizer?... Saudade. Que sentimento tão cítrico esse... Saudade de ti, anjo... Meu anjo. Meu? Será?

Sentimento adverso. Ao mesmo tempo em que nos prende em recordações – e eu lembro o teu sorriso, o teu jeito forte de olhar pra mim, tuas mãos tão próximas, a fala comedida, o aveludado da voz –, traz também o sabor amargo da distância. Essa ausência do calor da tua presença, essa falta que me faz olhar pra ti de tão perto. Do outro lado da mesa...

É, estou com saudade. Saudade de ouvir todas as coisas interessantes que tu tens a dizer. Saudade de um prato de bolinhos de chuva. Saudade da possibilidade de uma escorregada tua, de um olhar mais profundo... Saudade desse sentimento de posse que tu já tens sobre mim. Sim, tu sabes que tens. Meu anjo, meu demônio. Meu veneno! Espero cada segundo essa saudade passar.

Só que a saudade também é sentimento mesquinho. Dói na alma, macula a mente, destroça a lembrança. O que tu fazes aí tão longe? Sentes mesmo a minha falta? E que direito tenho de te desejar tão mais perto? Será que queres, como eu, tamanha proximidade? Ou será que anseio sozinha? Quem sabe, seja só eu a protagonista desses quereres. Quem sabe, tu jamais serás o meu anjo... Já não sei dizer.

Só o que sei é que espero cada dia, hora, minuto... Sei que suspiro ao lembrar teu sorriso. Sei que temo te assustar, tamanha fome que tenho de ti. Quem dera, tu me quisesses um ínfimo do que te quero, do que te espero... Será? Serás meu anjo? Serás só meu? Quem me dera poder tocar teu coração. Quem me dera poder tocar-te, anjo mau, tão distante... Saudade, meu veneno... Só saudade!

Um comentário:

anita disse...

A saudade inspira belos textos como este.
A saudade é prova de que tivemos algo bom para lembrar...