segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dark Angel



Suplantei, abafei, fiz-me forte. Fui de encontro ao destino, avante pela metrópole. Sorri sorrisos sinceros, abracei abraços fraternos! Me reprimi, me camuflei, me guardei na sombra. Fiz todos acreditarem que eu era feliz ali. E, naquele instante, eu era feliz plenamente. Pois bem, o instante passou. Agora vou-me permitir sofrer...

Vou me permitir sentir a saudade que toma de assalto meu eu mais frágil. A dor da ausência que corrói feito ácido, lentamente... Vou deixar que aquela lágrima role. Aquela que jamais alguém irá presenciar. Vou deixar que o coração chore, sangre, se encolha entristecido dentro de um peito externamente impenetrável.

Aquele brilho estelar que me rodeia, agora eu consinto que se apague. Só por esse momento, eu me permito lamentar o que poderia ter sido... e não será. Dói, admito, dói lá no fundo... dói na pele... Dói porque fiz tudo. Obedeci. Dói a culpa que não é minha. Então, só hoje, sem travas e sem disfarces, vou me deixar sentir essa dor.

Já disse antes, aqui nesses textos insanos, que os anjos são maus. E mais que isso, anjos são insensíveis... Mas, eu não sou nem nunca fui angélica. Eu sou carne e mente e sentimento. Eu amo, eu sangro, eu sofro, eu sinto dor... Não sou aço, embora pareça – faça parecer. Já não tenho motivo para me esconder. Não hoje.

Que essa agonia exorcize a saudade do peito. Que essa permissão faça de mim aquela que eu era antes dele... E que o coração aprenda, de uma vez por todas, que pessoas como eu não são fabricadas para amar. Que pessoas como eu não são criadas para serem amadas... São forjadas no calor do impulso, nunca no morno ninho da afeição.

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