sábado, 30 de novembro de 2013

Perdas e Danos



É preciso perder pedaços! É preciso que coisas ruins aconteçam, e arranquem partes dispensáveis para abrir espaço às coisas boas... É preciso que haja dor antes de haver sorrisos... E, acima de tudo, apesar de tudo, é preciso continuar sorrindo.

Apesar do peso nos ombros, da sujeira na pele, da vergonha por trás dos olhos, é preciso erguer o queixo e esboçar aquele belo sorriso nos lábios – mesmo feridos. Hematomas? Escondemos com corretivo. Pena não haver corretivo para a alma.

E vem a pergunta definitiva. Pra que continuar tentando? Um desencadear de desamor por si mesmo é tudo o que se consegue nesse apanhar constante. Que recompensas esperamos depois de tudo? Por que insistir se a falha é tão óbvia?

Nenhum alento dura o suficiente para tirar do paladar o fel corrosivo. Aquele abraço nunca está disponível quando precisamos de proteção. Cada um cuida de si. Não se pode pedir para que cuidem de nós. Não se pode almejar conforto da existência.

Dramaticidade? É, talvez seja só mais um rompante dramático de quem faz nada de útil além de pensar palavras complicadas. A “louca” quer mais atenção. Bilhete de suicídio? Não, não é para tanto. É só mais um tapa na cara, mais um banho de realidade.

Se eu espero que meu grito amordaçado seja ouvido? Sim, eu gostaria, mas não espero nada. Já nem sei se tenho direito de desejar aquele mero abraço que não dura, que nunca vem. Solidão é uma palavra forte... Erga o queixo e sorria. Sim, eu sei que dói...

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