segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Vermelho



Pulsar delicado das veias da donzela à espera do vampiro. Gosto doce. Gota de sangue. Jorro desenfreado de vida que escorre pelos poros, pelos cantos da boca. Cálice de vinho tinto, inebriante, a entorpecer os medos e os martírios mundanos.

Sopro quente da garganta do dragão. A lança do herói a perfurar a carne do monstro. Os olhos injetados da fera. A tez alva da bela a dançar sua nudez errante ante o altar de sacrifício. O amolar da lâmina almejando o imolar do cordeiro.

Resfolegar abafado que escapa dos lábios. Febre. Dor. Desejo. Inocência, flor desabrochada. O fio rubro do rio de lava a estampar os lençóis da virgindade. Noite de eclipse. Lua cheia a encontrar sua sombra. O beijo roubado de encontro ao batom.

Corpo que pulsa sob outro corpo. A carne e o dente. Suor e delírio em implosões de aromas e néctares. A marca ansiosa das mãos percorrendo a pele arrepiada. Paixão sob o apreciar alucinógeno das fúrias. Relâmpagos lançados ao fundo da alma.

Serpente incandescente. Haste de fogo vivo a inundar as costas. Retorcer de músculos, revirar de olhos. Flutuar como se o espaço fosse denso, fosse fluido. Ver os céus, pisar os infernos. Despertar a consciência e ser só a Fênix desenhada em vermelho.

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