sábado, 11 de outubro de 2014

Dia das Crianças

Pai, queria lhe dizer que eu cresci. Talvez você não tenha notado, mas eu cresci. E faz tempo, pai, que o tempo tomou as rédeas daquele mundo mágico que era meu. Faz tempo que a vida me ensinou o que era necessário saber e o que era imprescindível esquecer. Faz muito tempo que deixei de se criança.

Mas, pai, eu também queria dizer que a criança dentro de mim, aquela que fui um dia, ainda chora. Quem sabe, essa criança em mim chore até minha morte. E eu não sei se você realmente sabe o porque desse pranto. Ou se você se importa. Hoje, entretanto, sei que minha alma infante derrama lágrimas felizes.

Não se preocupe. Não vou lavar roupa suja, não vou reviver velhas guerras nada gloriosas. Quero apenas dizer a você que eu sou adulta. Sim, eu vim dizer (mais uma vez) que eu sei o que faço e faço exatamente o que tenho vontade. Essa sempre foi nossa diferença, você também sabe disso.

Peço apenas que reconsidere, pai. Peço que olhe para mim com o respeito que eu mereço. Não, eu não fracassei. Entenda, nós apenas pensamos diferente. Para você, o futuro é o que importa e o presente se sacrifica pelos que vêm depois de nós. Para mim, viver já basta. Meu sonho é mais profundo do que qualquer baú de ouro.

Eu conquistei meus sonhos. Todos eles. Cada um deles. Eu sou tudo o que eu desejei ser quando era criança. Eu fiz coisas, fiz arte, fiz criança. Essa vida errante só é errante aos seus olhos. Nunca o foi aos meus. O que eu deixo para o futuro? Certamente, mais do que segurança e estabilidade. Eu deixo potencial!


Nunca recriminei a sua forma de agir, pai. Por favor, não descrimine a minha. Eu aceito você com todos os seus defeitos. Por favor, não veja minhas virtudes como pecados mortais. Já deixei, há muito, de pedir um “eu te amo” seu para mim. Hoje, estou em paz e desejo a você apenas um feliz dia das crianças.

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