sexta-feira, 3 de abril de 2015

Aborto!

Sempre que eu penso no assunto maternidade, eu, inevitavelmente, lembro da minha mãe. E, inevitavelmente, eu penso: por que ela não me amava? Não que ela não me amasse de fato. Mas ela não me amou como devia. Nem perto disso.

Ah, como se deve amar a um filho? Onde está a fórmula? Ótima pergunta, e eu respondo. Ame, só isso. Ame sem restrições, sem imposições, ame incondicionalmente. Mas, se você é mãe, eu não preciso dizer, pois você já faz isso naturalmente. Já ama seu filho ou filha com TODAS as forças, mais que a você mesma. Isso é ser mãe!

Ser mãe é proteger, cuidar, alimentar, ensinar. Tudo isso é muito cansativo, mas nos dá um prazer imenso. Um filho é a sublimação da vida de qualquer mulher. Qualquer mulher que queira realmente ser humana e completa. A maternidade nos dá sentido à vida. Se alguém disser que não, ou é homem, ou está mentindo, ou não é mãe.

Mas, há momentos em que tudo dá errado, acontece sem querer, sem planejar. Há momentos que nos levam a decisões que ainda não queríamos tomar. Aquele filho que vem de um namoro sem sentido, um flerte que passou dos limites. E o pai apenas não é um pai. Não vai ser.

Muitas vezes, dependendo da idade da “mãe”, essas decisões são tomadas sem consultar a “mãe”. São separações impostas. Sim, eu sei. Era para o meu bem, para garantir o meu futuro. E não interessava o que eu queria. Não interessava a minha decisão. Não interessava que eu já amasse aquele bebê. Porque a cena (incrivelmente) não era minha.

E aquele bebê, de repente, não era mais nada. Era pranto. Sim, eu chorei o tempo inteiro. Chorei por horas depois. E aí, acabou... eu estava vazia. Aquele sonho de bebê não existia mais.

Quem fez isso? Quem cometeu esse assassinato? Eu?... Talvez tenha sido. Apesar dos protestos, de ter sido levada à força para a clínica clandestina, de ter dito “meu filho” tantas vezes antes... Talvez a culpa tenha sido minha.

Muitos e muitos anos mais tarde, uma pessoa importante me perguntou; “Por que isso ainda te incomoda tanto?” E eu respondi: “Porque sinto falta dele, de quem ele poderia ter sido...”

Hoje, sou mãe por minha livre vontade. Sou mãe porque escolhi ser mãe. E minha filha é amada como eu jamais fui! E, incrível, ela também me ama! Espero ser o suporte que ela vai precisar e o amparo e o carinho e o ninho sempre aberto, o abraço de cada dia.

Espero ser alguém em quem ela pode confiar, contar coisas, pedir amor. E eu tenho esse amor para dar, esse mesmo que me foi negado, por negligência, por incompetência, quem vai saber... Eu tenho esse amor para dar à minha filha. Eu a amo. Ela me ama. Jamais passarei por cima da vontade dela. É só isso.

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