sábado, 26 de março de 2011

Aos que eu amo...

Existem dois homens que amo incondicionalmente, e que se completam. Se pudessem ser misturados num caldeirão, unidos, seriam “o homem perfeito”. Um é verborrágico e desmedido, o outro monossilábico e contido. Um irritável, o outro explosivo. Um solta gargalhadas espontâneas, o outro apenas sorri.

São tão iguais e tão opostos esses dois homens. Um finca os pés na terra, o outro abre as asas ao céu. E, mesmo assim, se compartilham, se completam. Pudera eu tocá-los uma única vez. Saberia, enfim, que são reais. Tão perfeitos que se tornam juntos, poderiam ser o fruto colhido de minha imaginação.

Tão especiais esses dois, que não sei qual é mais doce, mais terno, mais meigo, mais irreal. Quem dos dois é idealizado, quem dos dois é factual. Tão distantes esses dois homens, que se tornam um único eco, um único espectro, um único sonho. Tão silenciosos, que são a luz e a sombra, a brisa morna e a tempestade. Tão únicos que se tornam um.

Tão especiais os dois homens que eu amo. Um com o frescor da primavera, o cheiro da infância. O outro com as feridas da vida, o gosto do mundo. Juntos, são verões tórridos e invernos acolhedores. E são dois, e são um só. Modelo da própria perfeição, do cegar dos sentidos, do pestanejar que transforma chuva em pingos de sol. 

Apolo e Adônis. Esses dois homens que eu amo, inatingíveis que são.

2 comentários:

kadulago disse...

Paixão... que texto lindo. Gostei muito... Eu! Assim.
Sim.

Ricardo disse...

Amor, que dimais! rararararara surpresa essa! ... Ta muito legal, muito bom, muito lindo, muito muito.
Amo essa catárticidade. Te amo!